Adoçantes Artificiais versus Carne Processada: Uma Questão de Saúde

Avaliando os Riscos Potenciais dos Adoçantes e Carnes Processadas à Luz das Recentes Declarações da OMS

Por Isabela Justo | 20/07/2023 | 6 Minutos de leitura

Introdução:

Em meio às discussões sobre nutrição e saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recentemente fez um anúncio que reacendeu o debate sobre a segurança dos adoçantes artificiais. Segundo a organização, os adoçantes, frequentemente recomendados para dietas de baixo teor calórico, podem representar um risco carcinogênico para os seres humanos. No entanto, ainda se destacam como opções mais seguras quando comparados a produtos de alto risco cancerígeno, como o tabaco, a luz ultravioleta e as carnes processadas.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), afiliada à OMS, classificou os adoçantes artificiais na categoria 2B. Esta categoria, que significa "possivelmente cancerígena para humanos", engloba uma variedade de alimentos, incluindo vegetais em conserva. Apesar da controvérsia, esta categoria é de risco substancialmente menor em comparação com a categoria 1, que inclui o tabaco, a luz ultravioleta e carnes processadas, como bacon e salsichas.

Qual a ingestão diária recomendada?

Francesco Branca, diretor do departamento de nutrição e segurança alimentar da OMS, afirma que, apesar das potenciais implicações, ainda não há evidências conclusivas para validar a ideia de que o aspartame, um adoçante artificial comum, possui efeitos adversos significativos após a ingestão. Ao revisar mais de 1.300 estudos analíticos de adoçantes, foi concluído que as evidências sobre o potencial cancerígeno do aspartame são limitadas e a ingestão diária recomendada não deve exceder 40 mg por kg de peso corporal do consumidor.

Entretanto, a pesquisadora do programa IARC Monographs, Mary Schubauer-Berigan, enfatiza a necessidade de pesquisas adicionais para entender melhor os efeitos do aspartame e outros adoçantes sobre a saúde humana. "As evidências limitadas de carcinogenicidade em humanos e animais, bem como os indícios pouco robustos de possíveis mecanismos carcinogênicos, destacam a necessidade de aprofundar as pesquisas", ressaltou Schubauer-Berigan.

Ainda assim, a questão permanece: os adoçantes são realmente cancerígenos? De acordo com o Dr. Ian Musgrave, professor sênior da Faculdade de Medicina da Universidade de Adelaide, na Austrália, a classificação da IARC foi baseada principalmente em três estudos observacionais que estabelecem uma correlação entre o câncer de fígado e o consumo de aspartame. Ele ressalta, porém, que a certeza ainda está distante e que a classificação pode ser modificada com o desenvolvimento de novas pesquisas.

Especialistas reforçam a necessidade de um maior entendimento sobre os efeitos dos adoçantes no corpo humano. Alguns estudos já exploraram a relação entre adoçantes e o desenvolvimento do câncer, no entanto, ainda é imprescindível um maior aprofundamento nesta questão.

Dr. Moez Sanaa, responsável pela unidade de alimentação e nutrição da OMS, argumenta que estudos mais rigorosos e de longo prazo são necessários. "Precisamos de ensaios controlados randomizados, incluindo estudos de vias mecanísticas relevantes para a regulação da insulina, síndrome metabólica e diabetes, especialmente no que diz respeito à carcinogenicidade", concluiu Sanaa.

A abordagem atual para o uso de adoçantes, embora baseada em estudos disponíveis, permanece um campo de debate intenso e pesquisa contínua. A complexidade da nutrição humana e as diferenças individuais na reação aos alimentos tornam essas questões especialmente difíceis de resolver com uma resposta única.

Embora os adoçantes artificiais possam representar algum risco de carcinogenicidade, conforme indicado pela classificação da IARC, é fundamental lembrar que essa possibilidade está enquadrada em um contexto muito mais amplo. Comer de maneira saudável e equilibrada, exercitar-se regularmente, evitar o tabagismo e a exposição excessiva à luz solar, são fatores que podem ter um impacto muito mais significativo na redução do risco de desenvolver câncer e outras doenças crônicas.

A OMS, juntamente com outras agências internacionais de saúde, continua a monitorar e avaliar novas pesquisas sobre adoçantes artificiais. Enquanto isso, é sensato limitar a ingestão de adoçantes dentro dos níveis recomendados, evitar alimentos ultraprocessados sempre que possível e se concentrar em uma alimentação rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras.

Resumindo:

Conclusivamente, mais pesquisas são necessárias para entender completamente os efeitos dos adoçantes artificiais na saúde humana. Enquanto o debate científico persiste, uma dieta balanceada, a atividade física regular e um estilo de vida saudável, ao que tudo indica, ainda são as formas mais eficazes de prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas e promover a saúde a longo prazo.

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Isabela Justo


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