O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), criticou veementemente o modelo de entrega adotado pelo iFood e Mercado Livre, classificando-o como "altamente explorador". As declarações ocorreram durante uma cerimônia em que o presidente Lula assinou o projeto de lei referente aos direitos dos motoristas de aplicativos.
Modelo Explorador e Negociações Fracassadas
Marinho destacou que as plataformas de entrega, em conjunto com o governo, precisam chegar a um acordo para estabelecer um padrão remuneratório que garanta condições de vida digna aos trabalhadores. Segundo o ministro, as empresas têm se mostrado relutantes em negociar e alegam que o modelo proposto não se adequa aos seus negócios, o que revela uma postura exploradora em relação aos entregadores.
O ministro também mencionou que está investigando as demandas dos profissionais de entrega e observou que há uma divisão dentro da classe sobre a possibilidade de serem enquadrados na CLT.
Ameaças de Retirada do País
Enquanto o projeto de regulamentação dos motoristas de aplicativos foi bem recebido por empresas como Uber e 99, plataformas como iFood e Rappi demonstraram resistência a algumas propostas. Essa resistência é tão forte que há ameaças de retirada do país.
As empresas de entrega pressionam por regras mais flexíveis e criticam a proposta de pagamento mínimo de R$ 25 por hora trabalhada, considerando-a inaceitável. Atualmente, os entregadores recebem em média R$ 6,50 por entrega, e a proposta das empresas de pagamento de R$ 17 por hora foi recusada pela categoria.
Resposta das Empresas: Compromisso com o Diálogo e Regulação
Após as críticas contundentes do Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, tanto o iFood quanto o Mercado Livre se posicionaram, refutando a acusação de não estarem dispostos a negociar e defendendo seu compromisso com a regulação dos trabalhadores de entrega.
iFood: Engajamento Ativo e Compromisso Sustentável
O iFood rejeitou a sugestão de que não esteja aberto ao diálogo, ressaltando seu envolvimento ativo nas discussões sobre a regulamentação dos entregadores. A empresa enfatizou que aceitou completamente a última proposta apresentada pelo Ministro Marinho, a qual previa ganhos de R$ 17 por hora trabalhada. Além disso, o iFood destacou seu compromisso contínuo com a regulação dos trabalhadores de entrega desde o ano de 2021.
Este compromisso, segundo o iFood, visa não apenas garantir a proteção e os direitos dos entregadores, mas também manter a sustentabilidade de seu ecossistema. A empresa salientou a importância de encontrar um equilíbrio entre a justa remuneração dos trabalhadores e a viabilidade econômica das operações de entrega.
Mercado Livre: Participação Ativa e Abertura ao Diálogo
O Mercado Livre também se pronunciou, afirmando ter participado ativamente das discussões sobre a regulamentação do setor de entregas. Embora a empresa não tenha tido acesso ao texto da proposta de regulação, manifestou sua disposição em dialogar e colaborar com todas as partes interessadas.
Essa posição do Mercado Livre reflete um compromisso com o diálogo e a busca por soluções que atendam às necessidades dos trabalhadores de entrega, ao mesmo tempo em que garantam a eficiência e a competitividade do mercado.
Conclusão
A resposta das empresas iFood e Mercado Livre destaca sua disposição em participar ativamente do processo de regulamentação dos trabalhadores de entrega, bem como seu compromisso em encontrar soluções sustentáveis que beneficiem todas as partes envolvidas.
Esse comprometimento com o diálogo e a regulação é crucial para garantir condições de trabalho justas e dignas para os entregadores, ao mesmo tempo em que promove a estabilidade e o crescimento do setor de entrega de aplicativos. O desafio agora reside na continuidade dessas negociações e na implementação eficaz de medidas que equilibrem os interesses dos trabalhadores e das empresas.
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